Doze estudantes de Arquitetura e Urbanismo do IFMS – Campus Jardim atravessaram a fronteira rumo a Assunção, como quem vai ao vizinho da frente, mas encontra uma cidade inteira esperando. Com eles, os professores Guilherme, Cibele e Ana Elizabeth, responsáveis por manter o grupo na linha entre o Panteón Nacional dos Heróis e o Mercado 4, passando pelo Hotel Guarani, a La Cuadrita, a Costanera e o Palácio de los López.
A viagem coincidiu com o aniversário da capital paraguaia, e não faltaram festas para lembrar que história e celebração andam de mãos dadas. Entre um evento e outro, os estudantes puderam medir, com os próprios olhos, a espessura da fronteira: não apenas a linha no mapa, mas o peso de séculos de disputas entre Brasil e Paraguai.
Conhecer Assunção, afinal, não foi apenas um exercício de turismo acadêmico. Foi um convite a enxergar o outro lado da história, aquele que muitas vezes não aparece nos manuais acadêmicos e reconhecer como o repertório paraguaio atravessa silenciosamente a cultura de quem vive deste lado da fronteira.

Estudantes em frente a ‘‘La Casona’’, centro cultural e social em Assunção, Paraguai.
Visita à FADA-UNA
Na programação de Assunção, houve uma parada que não estava nos guias turísticos: a Facultad de Arquitectura, Diseño y Arte (FADA-UNA). Ali, os estudantes do IFMS deixaram de ser visitantes para experimentar, por algumas horas, a vida acadêmica de outra universidade. Sentaram-se nos espaços onde acontecem as aulas, observaram corredores e oficinas, percorreram laboratórios como quem espiava o futuro possível da própria formação.
Foram recebidos pelos professores paraguaios com chipa pirú e cocido fumegante — prova de que hospitalidade também pode ser matéria de aprendizado. Entre conversas com docentes e relatos de pesquisas desenvolvidas pelos colegas paraguaios, os visitantes saíram de lá cheios de ideias, anotando mentalmente o que gostariam de tentar replicar também.
Esse tipo de visita, disseram alguns, vale mais do que longas listas de referências bibliográficas: funciona como lembrete de que a Arquitetura se faz de diálogo, de repertório partilhado — e de que atravessar a fronteira também pode ser atravessar a inércia. Para muitos, a experiência trouxe algo mais difícil de medir do que créditos acadêmicos: inspiração e motivação para seguir estudando.

Sala de aula compartilhada no curso de Arquitetura na FADA – UNA.

Experimentos estruturais no campus da FADA-UNA